Recentemente, Duda Scartezini, cofundador do Impact Hub Brasília, participou do o podcast Laço Solidários para um bate-papo profundo sobre o fortalecimento do ecossistema de impacto e o papel dos negócios sociais na transformação da sociedade. Duda compartilhou sua jornada empreendedora e a visão por trás do Impact Hub, uma rede global que vê o negócio como uma poderosa ferramenta social.
A diferença entre negócio social vs. negócio de impacto
Para Duda Scartezini, o negócio é uma “belíssima ferramenta social” universalmente aceita, e utilizá-la para resolver problemas sociais é fascinante. Ele esclareceu conceitos cruciais para quem deseja atuar nesse ecossistema:
- Negócio social: foi idealizado pelo Professor Mohamad Yunus, que conquistou o Prêmio Nobel da Paz e fundou o Grameen Bank. Nesses negócios, o lucro e a geração de caixa são visados, garantindo a sustentabilidade financeira. Contudo, os acionistas se comprometem a reinvestir todo o recurso que o negócio gerar para aumentar o impacto que se propõe. O único dinheiro que pode retornar aos acionistas é o que foi investido inicialmente.
- Negócio de Impacto: mantém as mesmas premissas de ser um negócio financeiramente sustentável e ter a intencionalidade de endereçar algum problema social, mas sem a vedação da distribuição do lucro para os sócios. Eles seguem os mesmos parâmetros de remuneração e incentivos de um negócio tradicional, combinando rentabilidade com intencionalidade.
Impact Hub Brasília: dinamizando o ecossistema globalmente e localmente
O Impact Hub é uma entidade dinamizadora de ecossistema. Seu foco é articular os três setores da economia: governo, empresas privadas e terceiro setor, além de empreendedores e talentos. A rede global possui 20 anos de história e está presente em mais de 65 países e mais de 130 cidades. Atualmente, o Brasil é o país que possui a maior quantidade de Impact Hubs.
Embora muitos associam o Impact Hub somente ao coworking, Duda enfatiza que o espaço físico é uma atividade meio obrigatória. É um ambiente de encontro da comunidade e de promoção do advocacy em torno do impacto social. O espaço em Brasília está 100% ocupado e toda a receita do coworking é reinvestida no fortalecimento do ecossistema.
Além do coworking, o Impact Hub Brasília desenvolve e executa projetos de consultoria e programas para iniciativa privada e terceiro setor, como editais públicos ou estratégias de ESG. Um exemplo citado é o projeto “Saldo+” de educação financeira para jovens de escolas públicas, em parceria com o ICNP.
A jornada de expansão e o amadurecimento em Brasília
Ao entrar na rede Impact Hub, Duda percebeu o enorme potencial de expansão no Brasil. Ele identificou mais de 70 cidades com mais de 400.000 habitantes que poderiam abrigar um Hub. Seguindo o lema de “pensar global, mas agir localmente”, a operação de Brasília iniciou uma estratégia de ocupação. Hoje, o grupo associado à licença de Brasília inclui Goiânia, João Pessoa, Fortaleza, Recife, Belém e está em processo de entrada em Salvador.
Sobre o ecossistema de impacto em Brasília nos últimos cinco anos, Duda avalia que houve um amadurecimento impressionante. A cidade, sendo o centro político do Brasil, tem o poder de irradiar iniciativas para todo o país. O ambiente passou de incipiente para um cenário mais estruturado, com o poder público e fundações se tornando parceiros importantes.
O desafio da comunicação e a luta contra o greenwashing
Duda concordou que a comunicação sobre impacto ainda está engatinhando, embora a agenda esteja em crescimento. Ele notou que organizações como o Sebrae estão olhando mais de perto para o tema.
Um dos maiores desafios é o vocabulário próprio do setor. Conceitos como “negócio social” ou “mensuração de impacto” não são intuitivos para o público em geral.
Para Duda, há espaço para a comunicação especializada, talvez através de um veículo de mídia específico para o impacto, e não apenas uma editoria. Ele exemplifica com a complexidade da pauta de resíduos, que sozinha geraria inúmeros programas, abordando desde crédito de reciclagem até incentivos.
Outro ponto crítico é o risco de greenwashing. Empresas que se comprometem com a agenda correm o risco de serem examinadas minuciosamente, o que leva algumas a diminuir sua comunicação voltada para o impacto.
Duda ilustra como decisões simples de marketing podem inviabilizar a sustentabilidade. Por exemplo, adicionar aditivos para que o plástico da garrafa PET fique branco ou usar nylon em garrafas de água sanitária torna o material não reciclável, apesar do esforço de separação. Por isso, ele acredita que haverá um crescimento de agências e profissionais especializados em comunicação específica para a sustentabilidade.
Como se conectar ao Impact Hub
Para participar dessa comunidade, que Duda descreve como um lugar onde a interação entre membros é uma métrica de sucesso, é possível:
- Participar dos eventos e se associar ao Impact Hub Brasília. Ser membro permite acessar o espaço físico e participar de eventos gratuitamente
- Alugar uma mesa no coworking ou simplesmente estar no coworking é uma maneira de conhecer pessoas e se conectar
- Acessar o site oficial ou seguir as redes sociais do Impact Hub Brasília para se manter informado











